Como lidar com perdas

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Dando continuidade à série de artigos sobre a morte e perdas em geral, após abordar um pouco sobre o que é a morte, passo a falar sobre como lidar com esse evento inevitável da vida.

Antes, contudo, quero esclarecer que este artigo trata não apenas da morte em sentido literal, mas das diversas perdas que sofremos no decorrer da vida, incluindo grandes dificuldades, tais como o nascimento de um filho com necessidades especiais que, em muitos casos, é psicologicamente vivenciado pelos pais como uma morte: a do filho perfeito.

Nosso mundo ocidental vive em função de tentar proporcionar uma vida indolor. As propagandas e redes sociais sempre retratam vidas alegres, coloridas e sem problemas; nossa medicina desenvolveu toda sorte de remédios de tarja preta para que não precisemos sentir as dores da alma; teses de felicidade são vendidas e desenvolvidas, muitas vezes dando a falsa ideia de que uma vida indolor é possível.

E, assim, a morte e as perdas da vida seguem como um tabu, interpretado por nossas mentes como um verdadeiro fracasso.

Acontece que a morte (em sentido amplo) faz parte da vida de qualquer pessoa e a morte em sentido literal é etapa inevitável dessa trajetória. A psicanalista Elizabeth Kubler Ross escreveu uma obra renomada sobre o luto e a morte: “Sobre a morte e o morrer”, onde toda a sua teoria sobre essa etapa da vida é descrita.

A citada psicanalista, que se dedicou a pacientes terminais, também escreveu sua autobiografia (“A Roda da Vida”, Editora Sextante), cuja leitura eu recomendo fortemente por ser lindíssima, e, que possui um trecho me marcou muito:

“Como uma mulher que sofrera quatro abortos e dera à luz duas crianças saudáveis, eu aceitava a morte como parte do ciclo natural da vida. Eu não tinha outra opção. Era inevitável. Era o risco que se corria ao dar à luz, assim como era o risco que se aceitava simplesmente pelo fato de estar viva. Entretanto, os médicos – em sua maioria homens -, com poucas exceções, todos encaravam a morte como uma espécie de fracasso.” (p. 156)

Como é possível que mesmo décadas depois dos estudos conduzidos pela Dra. Elizabeth Kubler Ross nós ainda tenhamos essa herança psicológica de associar a morte e as perdas em geral a fracassos!? Isso apenas nos traz um sofrimento além da dor natural desses eventos.

É preciso mudar nossa crença interior acerca do significado que damos à morte e às perdas e geral, porque essa associação negativa é inútil e conduz a períodos prolongados de depressão, a doença de nosso século! Como algo inerente à vida pode ser tão mal visto?

O fato de ser doloroso não significa que devemos associar a morte e as perdas a algo ruim ou que nos leva a um sentimento de derrota, afinal, se nos sentimos derrotados, contra quem estávamos lutando? Quem nos venceu? Deus, a vida, a natureza, o inevitável? Essa luta é em vão desde o início.

Aceitar a vida com as suas condições é essencial para que possamos tirar o melhor proveito dela. Afinal, como os próprios estudos da psicanalista referida acima indicam, nós morremos tal como vivemos, de sorte que, se passarmos a vida evitando riscos e lutando contra a sua essência, tenderemos a morrer com o sentimento de que nunca vivemos. Perder e morrer é, como disse a psicanalista, o preço que se paga por estar vivo. Agora, deixar de viver por medo do fracasso ou devido à não aceitação de perdas é antecipar a morte e desperdiçar a vida!

Compreender isso ajuda a abreviar os cinco estágios do luto, os quais a Dra. Elizabeth nomeou da seguinte forma: 1. choque e negação; 2. raiva e rancor; 3. mágoa e dor; 4. negociação com Deus; 5. aceitação.

Todos nós passamos por esses cinco estágios, na exata ordem mencionada acima, quando enfrentamos perdas ou  luto ou a notícia de uma doença que fatalmente nos conduzirá à morte. Mas, ter uma concepção da morte mais saudável nos ajuda a abreviar os quatro primeiros estágios, a fim de que possamos atingir a aceitação mais rapidamente e, assim, termos paz e vivermos bem o tempo que ainda nos é oferecido.

Ao contrário do que nos fazem crer, a aceitação daquilo que não pode ser evitado não é acomodação, mas, sim, sabedoria. É preciso humildade e inteligência para diferenciarmos aquilo que pode ser mudado ou evitado daquilo que a vida nos impõe; na segunda hipótese, a aceitação é a chave para lidarmos com o problema da melhor maneira possível e sem sofrimento. A dor será sempre inevitável, mas o sofrimento e sua vertente patológica denominada depressão podem ser, senão evitados, ao menos abreviados se soubermos mudar nossas crenças internas sobre a simbologia que damos a determinados eventos.

Nesse ponto, entra a importância da espiritualidade ou da religião, as quais nada mais são do que caminhos à fé. Após negociar com Deus, quem passa por essas situações compreende que Deus e a fé são o que nos dão força interna para encarar os momentos mais dolorosos da vida. É essa certeza inexplicável de que existe algo maior do que nós, hoje associada à inteligência espiritual, que pode nos conduzir a aceitar a vida como ela é, com suas dificuldades, perdas e dores e criar um lugar dentro de nós de uma força imensurável para superar aquilo que os demais chamam de fracasso, mas que nada mais é do que o curso e o risco inevitável de todo aquele que vive. É essa força sem explicação lógica ou científica que nos faz conseguir encarar com coragem o que a ciência até hoje não explica e talvez jamais explique: porque nascemos, porque morremos e para onde vamos.

Nunca acharemos uma reposta lógica para isso, portanto, mudar a chave da simbologia e extrair um significado positivo, que nos impulsione a uma vida de mais coragem e realizações (pois nosso tempo aqui é curto) e que nos possibilite ajoelhar diante de algo maior que nós mesmos e que jamais conheceremos, aceitando isso de peito aberto, é o segredo para uma vida não indolor, mas com paz que tanto buscamos.

 

 

Sobre força de vontade e superação

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Quando falamos em força de vontade nos remetemos à simbologia do Escorpião e às boas características dos nativos desse signo, as quais apenas são manifestadas quando o indivíduo nascido sob o signo de Escorpião (ou sob forte influência desse) aprende a desenvolver suas potencialidades.

Em que pese ser um dos temas centrais de desenvolvimento daqueles que escolheram nascer sob o signo ou sob forte influência de Escorpião, a força de vontade é algo que todos podemos desenvolver. A diferença para os filhos de Escorpião é que, para eles, esse é um compromisso de vida assumido, uma missão a ser cumprida.

Pois bem, para entender a força de vontade devemos compreender a simbologia do Scorpio. Esse signo é simbolizado pela Fênix ascendente, uma águia que sai das cinzas rumo ao céu, em um voo esplendoroso. Mas vejam, ela saiu das cinzas. Portanto, força de vontade não é algo que pertence à situação de sucesso, mas algo que permite que o sucesso seja alcançado. A força de vontade tende a nascer nas cinzas, na dor, no sofrimento, permitindo a superação das situações difíceis e a transmutação do ser esmagado em águia.

Escorpião está conectado ao mundo da água, das emoções, do trabalho psicológico interno. Daí que a força de vontade não surge de fatores externos favoráveis, mas deve ser desenvolvida por dentro, justamente para nos capacitar internamente a enfrentar os desafios e injustiças do mundo externo.

Mas não é só. A força de vontade representada pela simbologia do Escorpião é o único e verdadeiro poder que existe. Scorpio simboliza a busca pelo poder e seu segredo é o fato de que o poder externo depende do único e real poder: o interno. Vencer no mundo externo depende do poder interno de superação, o qual, por sua vez, nasce do útero da força de vontade, já que é essa que permite a superação de si mesmo.

Observe as situações em que você se encontra fragilizado, injustiçado, acuado, triste, etc. De início, se você não se policiar, você vai ficando inerte, fraco, rabugento, invejoso, vai perdendo a capacidade de enfrentar o mundo e vai se afundando nos sentimentos de culpa, raiva, mágoa, entre outros. E, quanto mais você se afunda, menos você consegue sair da situação e mais você se sente oprimido. Consegue perceber que a raiz toda está na sua capacidade de se superar, isto é, de superar esses sentimentos internos limitadores e que lhe enfraquecem? Que apenas você mesmo está se impossibilitando de reagir?

E de onde vem essa capacidade de superação interna, que lhe trará reflexos externos? Ora, do desenvolvimento da força de vontade. É a partir dela que você poderá fazer como a Fênix e sair das cinzas alçando voo.

Não alimente sentimentos e crenças limitantes, lembre-se que a viabilidade da sua vitória nasce da sua capacidade de se empoderar interna e emocionalmente. Olhe-se no espelho e diga a si mesmo que você quer do fundo da sua alma se superar e vá alimentando pensamentos, palavras e atitudes dessa natureza, para que você desenvolva em si a real vontade de superar qualquer dificuldade, não importando o esforço que tenha que ser feito. Você é capaz. Onde há vontade, há um caminho (lema dos escorpiões)!

Não se deixe vencer pela dor muscular do exercício do primeiro dia; pelo cansaço ou medo de um trabalho mais desafiador; pela tristeza do fim de algo; pela dor de cabeça dos estudos, pense: em quero e vou conseguir e faça disso um mantra. Afinal, esse é o segredo do signo do poder e agora você também o conhece.

Como lidar com os seus medos

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Essa semana resolvi escrever um texto sobre os nossos medos. Por alguma razão, a vida tem me colocado diante de clientes em cujos mapas o fator medo é significativo.

Há inúmeros aspectos em um mapa astral que diagnosticam que a alma encarnada veio eivada de medos e bloqueios. Na maioria dos casos, o planeta Saturno, regente natural de Capricórnio, está envolvido, bem como alguma das casas do subconsciente (Casas IV; VIII ou XII).

Fugindo um pouco dos aspectos técnicos, passo a falar de pontos mais concretos. Na grande maioria dos casos que presencio, o sujeito tem talento e inteligência de sobra, mas a promessa de sucesso de seu mapa tarda a se concretizar plenamente – e às vezes nem sequer se efetiva – justamente porque a lógica do medo é tão forte na pessoa, que ela não se arrisca e fica sempre alguns degraus abaixo de onde poderia estar.

Por outro lado, há outros casos em que o talento ou a inteligência, apesar de presentes, não são tão marcados quanto naqueles mencionados acima, mas a pessoa não atua sob a lógica do medo e chega muito mais longe.

Portanto, muitas vezes nosso comportamento (quiçá inconsciente) nos impede de realizar o destino que está logo ali nos aguardando de braços abertos.

Por trás do medo, em regra, está uma não aceitação da nossa condição humana de vulnerabilidade diante da vida. Somos demasiado vulneráveis e não nos é dado saber ao certo o que exatamente acontecerá a partir dessa ou daquela ação; a nós cabe tão-somente lidar com o resultado e parte de nossa vulnerabilidade reside aí. Temos uma noção geral do resultado, mas sabemos que há fatores alheios ao nosso controle que operam por diversas vias, podendo afetar o desfecho pretendido. Portanto, nosso plano de ação pode, quando muito, traçar probabilidades.

Por sua vez, saber lidar com a nossa vulnerabilidade diante do incerto faz parte do aprendizado do desapego. De fato, o que está em nosso alcance é traçar um bom projeto, fazer o nosso máximo para concretizar cada etapa com excelência e, a partir daí, aceitar a nossa vulnerabilidade e confiar no que vier. Se tudo o que você poderia fazer foi feito e concluído com esmero, então não lhe resta mais nada senão desapegar do resultado e confiar no futuro. Você jamais terá total controle sobre tudo!

Por sua vez, esse exercício de confiança adentra a esfera da Casa XII astrológica, a qual é a última casa do Zodíaco, simbolizada pelo signo de Peixes (água corrente, fluxo que segue independentemente dos obstáculos).

A Casa XII trata de tudo aquilo que nos é ocultado, do destino, da fé e da espiritualidade. Daí é possível perceber que a fé está justamente no território do desconhecido. A certeza a que se dá o nome de fé é inexplicável e não requer nenhuma informação, pois ela incide justamente naquilo que não nos será, jamais, dado conhecer.

E, uma vez que na Casa XII também estamos no território da espiritualidade, temos que esse é o caminho ao desenvolvimento da fé. Por sua vez, o estudo e a prática espiritual (meios de se alcançar a fé) ensinam, antes e acima de tudo, a aceitação de nossa vulnerabilidade, bem como a prática do desapego (já descrito no início deste texto), justamente em virtude dessa mesma vulnerabilidade.

É através dessas lições que desenvolvemos fé na vida e em nós mesmos, a qual, a seu turno, é a ferramenta com a qual se dilui o medo.

Assim é que, mediante uma rotina espiritual e leituras afins, podemos aceitar nossa condição humana, alcançando o desapego em relação a resultados esperados e, então, adquirir fé na vida e em nós mesmos. A partir daí será possível ir dissolvendo a lógica do medo aos poucos e alcançando o seu destino que sempre esteve ali à sua espera.

Por fim, destaco que a psicologia (estudo da alma) é também uma prática espiritual, guiada por profissional habilitado para isso e que também lhe possibilitará o trabalho de aceitação de suas vulnerabilidades e descontrole dos resultados, o qual o levará a desenvolver a fé de que tratei nos parágrafos precedentes.

 

Por Mia Vilela