Dia Internacional da Mulher: onde mora o feminino?

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Hoje, dia 8 de março, é comemorado o dia internacional da mulher. A data vem tomando mais vulto conforme o preconceito e a violência enfrentada pelas mulheres ao longo da história vem se descortinando através do grito feminino por liberdade, liberdade de ser.

Nem poderia ser diferente, em um céu onde Júpiter, planeta da expansão e da liberdade está habitando Escorpião, signo da violência, do sexo, do domínio, mas também da transmutação disso tudo na compreensão da natureza psicológica humana mais profunda. E Júpiter, também associado à mente superior, que compreende a si mesma e atribui significados e propósitos à vida, por meio da autoavaliação, contribui para essa transmutação.

Saturno em conjunção com Plutão em Capricórnio, por sua vez, requer a maior seriedade possível no tratamento das questões acima narradas, já que Plutão rege todas elas e, no signo de Capricórnio, combinado com esse Júpiter em Escorpião, alerta que haverá muito trabalho pela frente e que será preciso unir responsabilidade, seriedade e pragmatismo à empatia no trato dessa questão. Capricórnio é uma cabra com rabo de peixe e esse rabo lembra que trabalho e pragmatismo sem empatia levam a mais domínio e sujeição.

Pois bem. Esclarecido o céu do momento sob o ponto de vista social, como podemos lidar com o tema do feminino de maneira realmente produtiva e libertadora?

É simples, buscando o equilíbrio.

O arquétipo feminino vem sendo ligado ao longo de toda a história da mitologia, da Astrologia, contos de fadas e psicologia à parte da natureza humana que dá à luz (gesta uma vida); que nutre e cuida; que tem sensibilidade; que enfrenta as vulnerabilidades com acolhimento; que encontra na compaixão a força para enfrentar dias difíceis, pois acolhe a sua própria dor e a do outro, buscando soluções não violentas; que, pela memória, preserva valores de afeto e relações fundamentais à sobrevivência da espécie humana (recorde-se que a ciência já comprovou que o afeto é o ingrediente principal para a conexão dos neurônios na primeira infância). O arquétipo feminino encontra no céu sua simbologia por meio da Lua, satélite sem o qual a vida na Terra não seria possível, pois é a Lua quem regula as marés e os ciclos da terra a ser arada (e da fertilidade feminina e da bolsa de valores!).

Por sua vez, o arquétipo masculino, associado ao Sol, vem sendo relacionado à razão, à força, à assertividade, à vontade e à construção da individualidade. Está associado a uma força de vontade que luta para sobreviver de maneira mais impositiva.

Note-se que a palavra utilizada para descrever as características que comumente atribuímos às mulheres ou aos homens foi “arquétipo”, isto é, parte da natureza HUMANA, que sempre existiu e sempre existirá e que, sendo humana, integra a psiquê de cada um de nós, homens ou mulheres. O que se dá é que, por questões sociais, cada gênero acabou tendo permissão para desenvolver mais um dos lados do que o outro, gerando desequilíbrio interno e, por via de consequência, social também.

Assim é que, numa sociedade onde atribuiu-se valor apenas ao arquétipo masculino, o soterramento psicológico das características do arquétipo feminino levaram à intolerância, ao preconceito, ao ódio e à violência. Não à toa, boa parte das pessoas sonha em largar a vida corporativa, na qual praticamente há espaço apenas para a manifestação do arquétipo masculino, o que gera desequilíbrio e irritação generalizada nas pessoas, bem como stress e depressão.

Vejam, se fosse o contrário, isto é, se houvéssemos soterrado o arquétipo masculino, teríamos consequências similares, pois a negação de um dos lados da natureza humana provoca desequilíbrio e insatisfação interna que, acumulada, gera raiva e violência da mesma forma.

A solução do problema não está em pesar numa balança os arquétipos masculino ou feminino e ver qual tem maior importância, mas em equilibrar ambos dentro de cada um de nós, para que nossas palavras e ações no mundo reflitam esse equilíbrio e, passo a passo, com toda a paciência feminina, possam desconstruir essa lógica da violência.

Toda guerra, todo conflito começa dentro de nossas mentes antes de atingir uma magnitude social. É tempo de trazer à tona essa energia contida feminina dentro de cada um de nós e nos enxergarmos como seres humanos nus e vulneráveis que somos, mas que, pelo exercício da empatia, da paciência, da compaixão, somos extremamente fortes, pois conseguimos agir no mundo de forma consciente, racional, assertiva, criativa, mas olhando sempre ao redor, para que os benefícios sejam para todos, sob a lógica do cuidado com o outro.

É essa integridade interna que precisa ser buscada, a fim de que o preconceito e a violência contra a mulher acabem. É elevar o arquétipo feminino à categoria de qualidade e não mais de defeito, integrando-o com o arquétipo masculino, pois são complementares. O desequilíbrio afeta a nossa perpetuação como espécie, gera violência e limita a liberdade de todos nós, destrói nosso habitat e tira a paz de nossos lares.

Que tal buscarmos a integração Yin e Yan; feminino/masculino dentro de cada um de nós, para que a paz que buscamos possa vir? Ela é um mero reflexo de uma guerra interna, de uma conotação negativa do arquétipo feminino.

Não nos esqueçamos, todos viemos do ventre feminino, tivemos que ser nutridos e amados e isso foi fundamental para a formação de nossa consciência/princípio solar masculino (lembram que a conexão neural depende do afeto?). Afinal, na Astrologia Câncer (signo associado à Lua e ao feminino) vem antes de Leão (signo associado ao Sol e ao masculino), mas ambos são necessários para que cheguemos em Libra: relações sociais e justiça. Chega de guerra dos sexos, é tudo uma questão de integração, de unidade e de equilíbrio interior.

 

Como lidar com perdas

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Dando continuidade à série de artigos sobre a morte e perdas em geral, após abordar um pouco sobre o que é a morte, passo a falar sobre como lidar com esse evento inevitável da vida.

Antes, contudo, quero esclarecer que este artigo trata não apenas da morte em sentido literal, mas das diversas perdas que sofremos no decorrer da vida, incluindo grandes dificuldades, tais como o nascimento de um filho com necessidades especiais que, em muitos casos, é psicologicamente vivenciado pelos pais como uma morte: a do filho perfeito.

Nosso mundo ocidental vive em função de tentar proporcionar uma vida indolor. As propagandas e redes sociais sempre retratam vidas alegres, coloridas e sem problemas; nossa medicina desenvolveu toda sorte de remédios de tarja preta para que não precisemos sentir as dores da alma; teses de felicidade são vendidas e desenvolvidas, muitas vezes dando a falsa ideia de que uma vida indolor é possível.

E, assim, a morte e as perdas da vida seguem como um tabu, interpretado por nossas mentes como um verdadeiro fracasso.

Acontece que a morte (em sentido amplo) faz parte da vida de qualquer pessoa e a morte em sentido literal é etapa inevitável dessa trajetória. A psicanalista Elizabeth Kubler Ross escreveu uma obra renomada sobre o luto e a morte: “Sobre a morte e o morrer”, onde toda a sua teoria sobre essa etapa da vida é descrita.

A citada psicanalista, que se dedicou a pacientes terminais, também escreveu sua autobiografia (“A Roda da Vida”, Editora Sextante), cuja leitura eu recomendo fortemente por ser lindíssima, e, que possui um trecho me marcou muito:

“Como uma mulher que sofrera quatro abortos e dera à luz duas crianças saudáveis, eu aceitava a morte como parte do ciclo natural da vida. Eu não tinha outra opção. Era inevitável. Era o risco que se corria ao dar à luz, assim como era o risco que se aceitava simplesmente pelo fato de estar viva. Entretanto, os médicos – em sua maioria homens -, com poucas exceções, todos encaravam a morte como uma espécie de fracasso.” (p. 156)

Como é possível que mesmo décadas depois dos estudos conduzidos pela Dra. Elizabeth Kubler Ross nós ainda tenhamos essa herança psicológica de associar a morte e as perdas em geral a fracassos!? Isso apenas nos traz um sofrimento além da dor natural desses eventos.

É preciso mudar nossa crença interior acerca do significado que damos à morte e às perdas e geral, porque essa associação negativa é inútil e conduz a períodos prolongados de depressão, a doença de nosso século! Como algo inerente à vida pode ser tão mal visto?

O fato de ser doloroso não significa que devemos associar a morte e as perdas a algo ruim ou que nos leva a um sentimento de derrota, afinal, se nos sentimos derrotados, contra quem estávamos lutando? Quem nos venceu? Deus, a vida, a natureza, o inevitável? Essa luta é em vão desde o início.

Aceitar a vida com as suas condições é essencial para que possamos tirar o melhor proveito dela. Afinal, como os próprios estudos da psicanalista referida acima indicam, nós morremos tal como vivemos, de sorte que, se passarmos a vida evitando riscos e lutando contra a sua essência, tenderemos a morrer com o sentimento de que nunca vivemos. Perder e morrer é, como disse a psicanalista, o preço que se paga por estar vivo. Agora, deixar de viver por medo do fracasso ou devido à não aceitação de perdas é antecipar a morte e desperdiçar a vida!

Compreender isso ajuda a abreviar os cinco estágios do luto, os quais a Dra. Elizabeth nomeou da seguinte forma: 1. choque e negação; 2. raiva e rancor; 3. mágoa e dor; 4. negociação com Deus; 5. aceitação.

Todos nós passamos por esses cinco estágios, na exata ordem mencionada acima, quando enfrentamos perdas ou  luto ou a notícia de uma doença que fatalmente nos conduzirá à morte. Mas, ter uma concepção da morte mais saudável nos ajuda a abreviar os quatro primeiros estágios, a fim de que possamos atingir a aceitação mais rapidamente e, assim, termos paz e vivermos bem o tempo que ainda nos é oferecido.

Ao contrário do que nos fazem crer, a aceitação daquilo que não pode ser evitado não é acomodação, mas, sim, sabedoria. É preciso humildade e inteligência para diferenciarmos aquilo que pode ser mudado ou evitado daquilo que a vida nos impõe; na segunda hipótese, a aceitação é a chave para lidarmos com o problema da melhor maneira possível e sem sofrimento. A dor será sempre inevitável, mas o sofrimento e sua vertente patológica denominada depressão podem ser, senão evitados, ao menos abreviados se soubermos mudar nossas crenças internas sobre a simbologia que damos a determinados eventos.

Nesse ponto, entra a importância da espiritualidade ou da religião, as quais nada mais são do que caminhos à fé. Após negociar com Deus, quem passa por essas situações compreende que Deus e a fé são o que nos dão força interna para encarar os momentos mais dolorosos da vida. É essa certeza inexplicável de que existe algo maior do que nós, hoje associada à inteligência espiritual, que pode nos conduzir a aceitar a vida como ela é, com suas dificuldades, perdas e dores e criar um lugar dentro de nós de uma força imensurável para superar aquilo que os demais chamam de fracasso, mas que nada mais é do que o curso e o risco inevitável de todo aquele que vive. É essa força sem explicação lógica ou científica que nos faz conseguir encarar com coragem o que a ciência até hoje não explica e talvez jamais explique: porque nascemos, porque morremos e para onde vamos.

Nunca acharemos uma reposta lógica para isso, portanto, mudar a chave da simbologia e extrair um significado positivo, que nos impulsione a uma vida de mais coragem e realizações (pois nosso tempo aqui é curto) e que nos possibilite ajoelhar diante de algo maior que nós mesmos e que jamais conheceremos, aceitando isso de peito aberto, é o segredo para uma vida não indolor, mas com paz que tanto buscamos.

 

 

Como lidar com críticas no ambiente corporativo

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Se você for buscar textos que tratam de posturas recomendadas em ambiente corporativo, certamente vai se deparar com a expressão “crítica construtiva” e com o conselho de que deve ouvir e refletir sobre essas.

Por certo, nossa natureza humana, em regra, nos induz a aprender mais pela dor do que pelo amor, isto é, somos inclinados a aprender com nossos próprios erros ao invés de assimilarmos lições por meio do erro dos outros.

É justamente nessa seara do erro que entra a famosa crítica construtiva. Essa espécie de abordagem do outro em relação a nós visa, justamente, apontar onde estamos errando e indicar o caminho do acerto. Deriva, portanto, de um ato de generosidade, de ajuda e aconselhamento genuínos. Em regra, vem acompanhada de uma postura calma e aberta de quem a emite, bem como de uma predisposição ao diálogo.

A crítica construtiva aponta exatamente qual foi o seu erro, quando esse se deu e indica a solução que aquele que a emite entende ser a adequada para que você passe de nível no jogo da vida. Dessa forma, a não ser que você opte por entender tudo na vida como um ataque, não terá a sua autoestima abalada por críticas dessa natureza; pelo contrário, sairá fortalecido desse diálogo.

No entanto, nem toda crítica é construtiva, o que não impede que quase todo aquele que critica afirme estar fazendo uma crítica construtiva. A verdade, contudo, não reside nas palavras, mas nas atitudes.

Ao longo de sua vida pessoal e profissional você será criticado, mas nem sempre de forma construtiva. Compreender a diferença entre alguém que busca lhe auxiliar e alguém que visa, ainda que inconscientemente, lhe prejudicar é crucial para a sua saúde psicológica.

A crítica não construtiva, isto é, maliciosa ou derivada de medo ou inveja, nunca será feita no momento do seu erro. Claro, se fosse feita na hora do equívoco, ficaria fácil para você debater sobre como melhorar e difícil para o crítico esconder sua falta de vontade em auxiliar.

Tempos depois do suposto erro, o tipo de pessoa que deseja te ofender não vai dizer que você errou, vai dizer que você é isso ou aquilo. Note que o objeto dessa espécie de crítica é quem você é, a sua personalidade e não uma atitude a ser melhorada. Ainda, esse tipo de crítica não inclui uma sugestão de melhora, nem é proferida como um aconselhamento, mas como um julgamento.

Isso acaba sendo lido pelo interlocutor como um ser, uma situação estática e não como um estar, uma situação que pode ser modificada. E é aí que reside o perigo: afetam a autoestima do criticado, ao invés de lhe fortalecer e induzir à melhora.

No momento em que a sua autoestima é afetada, você  acaba por se colocar totalmente nas mãos do outro e a sua estrutura emocional fica prejudicada. Consequentemente, a sua capacidade de melhora e de producão também serão maculadas e, no fim, você acabará se portando da exata maneira como o seu crítico desejou e ratificará o disurso dele sem nem perceber.

Portanto, é importante estar atento para a real intenção daquilo que lhe é dito. Se a postura e atitude da pessoa não forem a de realmente apontar uma soução, dar exemplos concretos dos seus erros e estar aberto a discutir soluções, o melhor a fazer é indagar a pessoa, colocando-a numa posição em que ela mesma tenha que reavaliar as palavras ditas.

Diga que você está disposto a melhorar e aprofundar a conversa, mas que, para tanto, precisa de exemplos concretos de onde e como errou. Explique que apontamentos vagos do tipo você é “arrogante” ou “não lida bem com pessoas” ou o que quer que seja não são capazes de lhe fazer entender como essas falhas são, de fato, externalizadas e, portanto, não permitem que você tome atitudes concretas para mudar. Acrescente que você não percebe que age assim e que precisa da ajuda dessa pessoa para lhe apontar os momentos em que isso ocorre, para que você possa se aprimorar.

Dessa forma, você verá a real intenção de quem lhe aponta os erros. Se a pessoa estiver espelhando os próprios defeitos em você ou simplesmente queira lhe desestruturar, vai se confundir, vai elevar o tom de voz ou vai dar alguma desculpa ou mesmo mudar o foco da conversa. De outro modo, se realmente estiver pretendendo que você progrida, vai procurar junto com você a melhor forma de lidar com o problema.

Antes de internalizar tudo o que lhe dizem, esteja atento, cuide da sua estrutura emocional, pois é ela que sustenta todo o resto. Se você perceber que está diante de pessoas que não contribuem efetivamente para o seu crescimento, mas, sim, afetam a sua autoestima, repense se vale mesmo à pena dedicar tempo nesse lugar, se você tem estrutura interna para lidar com isso. Se tiver, ótimo, lute pelo seu progresso sem contar com essas pessoas, mas se a sua estrutura psicológica estiver sendo destruída, não permita que lhe tirem o seu maior ativo.

E, quanto às críticas construtivas, seja grato a quem as disse e saiba que essa pessoa é um ótimo mentor, cresça com tais críticas, pois são um presente.

How to forgive

  • versão em português no final do texto em inglês. imagem perdão

Another year is getting to an end, and a new one is about to begin. It is time to make our new year´s resolutions. Therefore, we need to open ourselves for new opportunities and possibilities and, literally, get rid of what does not fit our soul anymore.

In other words, there is no better time for forgiveness. In order to make new good possibilities to take place in our lives, we must clean our soul from harmful feelings, regardless of whether they are directed to ourselves or third parties.

In order to allow yourself to forgive, you shall, at first, know that you do not forgive someone in order to let them free, instead, you forgive in order to free yourself from harmful feelings that, ultimately, would make you sick. Nobody has the power to free anyone, do not delude yourself into thinking you can do that, for you can only free yourself.

If you realize that, it will be half way to allow yourself to forgive anyone who has hurt you. It is a gift to you!

Also, you do not forgive what has been said or done, but, instead, who has said or done something against you. That is: you forgive a person, not an attitude. It may seem obvious, but it makes a huge difference to acknowledge that, for you will realize that, by forgiving, you’ll not allow that person to hurt you again, you’ll only be saying that you do not keep bad feelings inside you.

This means that, by forgiving, you won’t, necessarily, trust the person again; you’ll solely replace harmful feelings by joyful and peaceful ones. If you deem that someone deserves a second trust chance, that is up to you, but that does not mean you will allow such person to hurt you again.

And, above all, allow yourself to forgive yourself from whatever guilt you may feel. Guilt is a useless feeling that prevents you from taking any action towards improvement. You may feel sorry for your mistakes and learn from them, but never dive your soul into guilt. Forgive yourself and show yourself some compassion, for that will make it possible to you to show the same compassion towards others. One who does not forgive himself will not forgive others and that is how intolerance is built.

I hope that with the tips above, those of you who face difficulties regarding forgiveness find a way to free your souls and begin 2018 with more peaceful and joyful feelings that will make your lives softer and more pleasant.

Happy New Year for you!

 

VERSÃO PORTUGUÊS

Mais um ano está chegando ao fim, enquanto outro se inicia. É nesse momento que fazemos nossas resoluções de ano novo e, para tanto, é necessário liberar nosso interior de sentimentos nocivos, a fim de que novas e boas oportunidades e sentimentos tomem seu lugar, tocando nossa vida para frente.

Portanto, esse é o momento propício para trabalharmos o perdão.

Primeiramente, devemos saber que o perdão não se destina a liberar nosso ofensor, mas a liberar nossa alma de rancores e amarguras que nos fazem tão mal, que podem até desencadear uma doença. Ninguém tem o poder de liberar os outros de qualquer culpa, podemos apenas libertar nossas almas de sentimentos tóxicos.

Outro ponto diz respeito ao objeto do perdão: perdoamos a pessoa e não suas palavras ou atos. Pode parecer banal, mas essa diferença é de extrema importância, pois indica que, ao perdoar, não estamos dando permissão ao outro de repetir seus erros, mas apenas liberando nosso coração de maus sentimentos. Igualmente, perdoar não significa, necessariamente, voltar a confiar (pode ou não ser assim, depende do que a sua intuição lhe diz). Ter essa noção facilita a que nos permitamos perdoar o outro.

Por fim, precisamos, antes de mais nada, perdoar a nós mesmos, livrando-nos da culpa, a qual é um sentimento inútil, que nos paralisa, impedindo que trabalhemos para sermos pessoas melhores. Arrependimento é uma coisa, culpa é outra. O arrependimento pode nos levar a um lugar de aprendizado e evitar que repitamos erros, já a culpa nos bloqueia e enche nossa alma de rancor contra nós mesmos. Devemos nos livrar dela. Tenhamos amor próprio e compaixão conosco, pois somente assim poderemos ter compaixão com os outros e alcançar o lugar do perdão e, consequentemente, sermos livres.

Nesse 2018, vamos perdoar e liberar espaço para sentimentos alegres e de paz, os quais nos permitirão ter uma vida leve e mais próspera e abundante.

Espero que este texto tenha ajudado aqueles que têm dificuldade em perdoar a si mesmo e os outros e que seja uma gota de paz em suas vidas.

Feliz Ano Novo a todos!

Por que temos necessidade de controle?

Quanto de sua vida você tenta controlar? E de suas relações? Você tem conseguido se entregar às incertezas da vida ou vive buscando uma maneira de controlar tudo?

De fato, muitos aspectos de nossas vidas estão sob o nosso controle, porém, inúmeros outros correm à nossa revelia. Saber diferenciar o quinhão que nos compete daquele que está sob a gestão da providência é indispensável não apenas à paz interior, mas para que sejamos inteiros.

relacionamentos   Vivemos em um mundo onde reina o livre arbítrio, nosso e dos outros. Dessa forma, nosso quinhão de controle diz respeito exclusivamente ao que podemos escolher, e nada além disso.

Aquilo que não está sob o domínio do livre arbítrio não nos cabe controlar, pertence à providência. Nesses casos, recai sob o nosso livre arbítrio a decisão sobre como lidar com o que foi escolhido por terceiros, no uso de seus respectivos livre arbítrios.

E é aí que as confusões, dramas e toda sorte de sentimentos ruins nascem. Queremos controlar o outro e terminamos julgando e condenando e, sem perceber, ficamos prisioneiros de sentimentos criados por nós mesmos e que nos levam a lugares de angústia, solidão, raiva, medo, insegurança.

escolha

Furtamos, a todo instante, o quinhão do livre arbítrio dos outros e, com isso, nos esquecemos de utilizar nosso próprio quinhão desse latifúndio. Ao focar em controlar as ações e palavras alheias, deixamos de fazer uso de nosso livre arbítrio, o que nos permitiria encontrar alternativas saudáveis e produtivas para lidar com aquilo que não depende de nós. Contudo, ao invés de nos preocuparmos com a forma como vamos transformar a nosso favor algo que não era de nosso desejo, damos murro em ponta de faca tentando, sob a forma de reclamações, indignações, críticas e julgamentos, controlar o que não nos compete decidir. É quase uma insanidade, não acham?

Ao fazermos isso, deixamos de ser tudo o que podemos ser, damos as costas à nossa inteireza e passamos a tentar viver algo que pertence ao outro. Quem perde nessa história toda somos nós mesmos e não o outro cujas escolhas, atitudes ou palavras trouxeram desafetos. Esse outro fez uso de seu livre arbítrio, ainda que tenha errado; já quem se furta de suas próprias escolhas e vive com o olhar nas escolhas alheias, nem o risco de fazer más escolhas corre, furta-se do livre arbítrio e, consequentemente, da vida.

Essa necessidade de controle advém de uma negação de nossa vulnerabilidade e da ilusão de que somos donos da verdade. Visando a nos proteger de toda sorte de sofrimento, sofremos ainda mais, pois nos furtamos de ser tudo o que podemos ser e passamos uma vida olhando para fora e não para dentro.

Somos, em essência, vulneráveis e parte de um todo, razão pela qual nada nos deixa imunes aos efeitos da providência, a não ser o desenvolvimento de uma força interna capaz de aceitar essa condição vulnerável e construir uma estrutura psíquica apta a lidar com o que quer que a vida nos traga.

Brigar e tentar controlar aquilo que não pertence ao nosso quinhão de escolha é deliberadamente cair no precipício do sofrimento, tanto pelo fato de o foco estar voltado para algo que não nos compete, como pelo fato de, ao fazermos isso, deixarmos de olhar para nós mesmos, isto é, deixamos nossa inteireza de lado e passamos a querer viver a vida do outro.

passado   Não há nenhuma garantia de estabilidade ou alegria em relacionamentos; não há vida eterna nem garantia de saúde inabalável; não há garantia de prosperidade financeira permanente; enfim, não há garantia de qualquer sorte de estabilidade na vida. Viver buscando formas de controlar isso é viver numa prisão de ilusão e, pior: é deixar de viver.

Melhor mesmo é aceitar a nossa vulnerabilidade e correr o risco de viver, que implica em escolhas erradas, fracassos de toda sorte, doenças e morte. Mas, no meio disso tudo, está a plenitude de sermos tudo o que podemos ser, estão as alegrias, conquistas, amores, riquezas, que também são intermitentes e, justamente por isso, têm tanto valor!

É a finitude da vida e de tudo que a permeia que nos possibilita momentos de júbilo, é sabermos vulneráveis que nos permite a possibilidade de nos sentirmos parte de um todo. Sem isso, jamais teremos a sensação de pertencimento que tanto buscamos. Sem essa consciência da vulnerabilidade e aceitação dos riscos da vida, viveremos na ilusão de sermos deuses e de estarmos fora de uma roda que gira em ciclos e perderemos a própria chance de viver e passaremos apenas a existir.

Melhor correr riscos, fazer escolhas (ainda que erradas) e viver, não acham?

O significado da vida

Universo

 

O que não falta nas prateleiras das livrarias e nos sites de autoajuda e/ou espiritualidade são livros, textos e ofertas de cursos para encontrar um propósito de vida, o sucesso, a felicidade, o dharma, ou seja lá que nome você queira dar para o sentido da vida.

Essa pergunta permeia a filosofia desde os primórdios e, verdade seja dita, até hoje ninguém a respondeu. E não é para menos, se existisse algum sentido universal para a vida, uma receita de bolo para encontrar seu caminho e significado no mundo, existiria, por força da lógica, uma verdade absoluta. E a menos que você seja algum tipo de radical, já deve ter percebido que não existe uma verdade universal sobre nada.

A essência do universo é a mudança e o movimento, bem como a relatividade. A física explica, para quem deseja explanações científicas. E, se o universo no qual nos inserimos está sujeito à teoria da relatividade, manda a lógica que isso se aplique às questões filosóficas da vida.

A religião, o direito, a moral, a ética traduzem, em dado momento histórico, a verdade socialmente aceita, senão pela maioria, ao menos pela minoria dominante. São conceitos criados pelo homem com base em determinadas circunstâncias e, porque não dizer, interesses, que, por convenção, aplica-se a todos. Da mesma forma, as respostas encontradas no pensamento filosófico acabam sendo inseridas não tanto num momento histórico, necessariamente, mas a circunstâncias de certa forma genéricas.

Exemplifico. Ninguém relutaria em defender o direito à vida ou qualquer questão de cunho filosófico defendendo a vida. Mas imagine uma situação limite. Isso pode mudar. O judaísmo explica o amor próprio por meio de uma parábola sobre dois amigos que decidiram atravessar o deserto a pé. Um calculou bem o volume de água a levar, já o outro subestimou suas necessidades. O fato é que ambos se viram em uma situação em que havia água para apenas um deles completar a caminhada. Se o amigo que tinha água suficiente a dividisse com o outro, ambos morreriam de sede, se não o fizesse, apenas o outro morreria e ele não. E aí? Como ficam as verdades? Seria justo aceitar uma água cuja falta posterior mataria a ambos? E não dividir? A solução oferecida pelo judaísmo é não dividir e amar a si mesmo, sob pena de ambos morrerem, afinal, se o amor ao próximo existisse no amigo, esse não aceitaria uma água que levaria ambos à morte.

Viu, tudo é relativo!

Consequentemente, o significado da sua vida e o seu caminho também. O que funciona para um pode não funcionar para o outro. E o que funcionou para você ontem pode não ser mais verdade hoje. Não há fórmula mágica. Cuidado com gurus que prometem, a preço de ouro, a solução para as suas dúvidas existenciais em apenas alguns meses. É bem possível que você leve a vida toda procurando um significado e jamais encontre.

Mas, então, o que fazer? Bem, procure aceitar a vida como ela é. Isso não significa ficar inerte, mas compreender que a você cabe fazer tudo o que está ao seu alcance para alcançar determinado objetivo ou prazer, mas o resultado depende de incontáveis variáveis que não estão sob o seu controle e que nem sempre a ciência explica.

Compreender que, para além da religião, da filosofia, do direito, da moral e da ética existe o oculto, o sagrado, aquilo que não se explica, é sinal de sabedoria. É a partir dessa compreensão que você pode chegar à aceitação de resultados e acontecimentos alheios ao seu controle e lidar com eles de forma construtiva.

Aprender a apreciar o caminho, com seus desníveis e obstáculos, ao invés de indignar-se a todo momento sobre como as coisas não aconteceram como você desejou que fosse e entendeu que deveria é compreender que não existe uma verdade universal para nada, que, no fim, aquilo que não se explica se impõe e cabe a você decidir se vai ser feliz ou infeliz diante disso.

Nem sempre nós poderemos trilhar caminhos ou alcançar destinos que achamos que queremos e que nos farão felizes, mas está em nosso alcance decidir por aceitar e gostar do caminho e destinos que foram possíveis em dado momento, imprimindo significados e propósitos que criamos a partir dessa não escolha, a fim de tornar a vida mais suave.

Essa é uma tarefa casuística e não universal, você fará isso a todo instante e os significados e propósitos vão mudar conforme a roda da vida gira. E isso, meus caros, é, quem sabe, compreender o mistério da existência, que, como o próprio nome sugere, ainda permanece como algo oculto em relação ao qual nos resta a aceitação e a criação, a cada instante, de impressões que nos tragam paz.