Como lidar com críticas no ambiente corporativo

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Se você for buscar textos que tratam de posturas recomendadas em ambiente corporativo, certamente vai se deparar com a expressão “crítica construtiva” e com o conselho de que deve ouvir e refletir sobre essas.

Por certo, nossa natureza humana, em regra, nos induz a aprender mais pela dor do que pelo amor, isto é, somos inclinados a aprender com nossos próprios erros ao invés de assimilarmos lições por meio do erro dos outros.

É justamente nessa seara do erro que entra a famosa crítica construtiva. Essa espécie de abordagem do outro em relação a nós visa, justamente, apontar onde estamos errando e indicar o caminho do acerto. Deriva, portanto, de um ato de generosidade, de ajuda e aconselhamento genuínos. Em regra, vem acompanhada de uma postura calma e aberta de quem a emite, bem como de uma predisposição ao diálogo.

A crítica construtiva aponta exatamente qual foi o seu erro, quando esse se deu e indica a solução que aquele que a emite entende ser a adequada para que você passe de nível no jogo da vida. Dessa forma, a não ser que você opte por entender tudo na vida como um ataque, não terá a sua autoestima abalada por críticas dessa natureza; pelo contrário, sairá fortalecido desse diálogo.

No entanto, nem toda crítica é construtiva, o que não impede que quase todo aquele que critica afirme estar fazendo uma crítica construtiva. A verdade, contudo, não reside nas palavras, mas nas atitudes.

Ao longo de sua vida pessoal e profissional você será criticado, mas nem sempre de forma construtiva. Compreender a diferença entre alguém que busca lhe auxiliar e alguém que visa, ainda que inconscientemente, lhe prejudicar é crucial para a sua saúde psicológica.

A crítica não construtiva, isto é, maliciosa ou derivada de medo ou inveja, nunca será feita no momento do seu erro. Claro, se fosse feita na hora do equívoco, ficaria fácil para você debater sobre como melhorar e difícil para o crítico esconder sua falta de vontade em auxiliar.

Tempos depois do suposto erro, o tipo de pessoa que deseja te ofender não vai dizer que você errou, vai dizer que você é isso ou aquilo. Note que o objeto dessa espécie de crítica é quem você é, a sua personalidade e não uma atitude a ser melhorada. Ainda, esse tipo de crítica não inclui uma sugestão de melhora, nem é proferida como um aconselhamento, mas como um julgamento.

Isso acaba sendo lido pelo interlocutor como um ser, uma situação estática e não como um estar, uma situação que pode ser modificada. E é aí que reside o perigo: afetam a autoestima do criticado, ao invés de lhe fortalecer e induzir à melhora.

No momento em que a sua autoestima é afetada, você  acaba por se colocar totalmente nas mãos do outro e a sua estrutura emocional fica prejudicada. Consequentemente, a sua capacidade de melhora e de producão também serão maculadas e, no fim, você acabará se portando da exata maneira como o seu crítico desejou e ratificará o disurso dele sem nem perceber.

Portanto, é importante estar atento para a real intenção daquilo que lhe é dito. Se a postura e atitude da pessoa não forem a de realmente apontar uma soução, dar exemplos concretos dos seus erros e estar aberto a discutir soluções, o melhor a fazer é indagar a pessoa, colocando-a numa posição em que ela mesma tenha que reavaliar as palavras ditas.

Diga que você está disposto a melhorar e aprofundar a conversa, mas que, para tanto, precisa de exemplos concretos de onde e como errou. Explique que apontamentos vagos do tipo você é “arrogante” ou “não lida bem com pessoas” ou o que quer que seja não são capazes de lhe fazer entender como essas falhas são, de fato, externalizadas e, portanto, não permitem que você tome atitudes concretas para mudar. Acrescente que você não percebe que age assim e que precisa da ajuda dessa pessoa para lhe apontar os momentos em que isso ocorre, para que você possa se aprimorar.

Dessa forma, você verá a real intenção de quem lhe aponta os erros. Se a pessoa estiver espelhando os próprios defeitos em você ou simplesmente queira lhe desestruturar, vai se confundir, vai elevar o tom de voz ou vai dar alguma desculpa ou mesmo mudar o foco da conversa. De outro modo, se realmente estiver pretendendo que você progrida, vai procurar junto com você a melhor forma de lidar com o problema.

Antes de internalizar tudo o que lhe dizem, esteja atento, cuide da sua estrutura emocional, pois é ela que sustenta todo o resto. Se você perceber que está diante de pessoas que não contribuem efetivamente para o seu crescimento, mas, sim, afetam a sua autoestima, repense se vale mesmo à pena dedicar tempo nesse lugar, se você tem estrutura interna para lidar com isso. Se tiver, ótimo, lute pelo seu progresso sem contar com essas pessoas, mas se a sua estrutura psicológica estiver sendo destruída, não permita que lhe tirem o seu maior ativo.

E, quanto às críticas construtivas, seja grato a quem as disse e saiba que essa pessoa é um ótimo mentor, cresça com tais críticas, pois são um presente.

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