Vaidade Intelectual

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Como muitos intelectuais renomados costumam dizer, as redes sociais e a internet como um todo socializaram a ignorância, na medida em que pessoas sem conhecimento técnico nenhum publicam suas opiniões como verdades científicas e, pior, publicam inverdades como verdades científicas.

Um bom exemplo disso é a ode ao óleo de coco, como um alimento milagroso e saudável, que inclusive auxilia no emagrecimento e que, por mera coincidência, custa por volta de R$ 59,00 por cada 200ml. Bem, na edição deste mês da revista do Laboratório Fleury há uma matéria comparando cientificamente o óleo de coco com o óleo de canola, onde consta, entre outros, que: (i) o óleo de coco contém as tão temidas gorduras saturadas e; (ii) não há comprovação científica de seu auxílio no processo de emagrecimento. Esse é um de incontáveis exemplos do mau uso da informação na internet.

Contudo, isso já é mais do que sabido. O que me preocupa é o tom raivoso com o qual certas pessoas de renome fazem essa crítica e, quase sempre, de maneira generalizada, como se qualquer um que não seja cientista, médico, filósofo, isto ou aquilo, fosse, necessariamente, desprovido de sabedoria.

De início, criticar em tom raivoso, especialmente quando se tem largo alcance, é temerário, porque se há algo contagioso é a raiva. Essa, por sua vez, cria em nossa mente um ímpeto violento que, fatalmente, será extravasado em palavras e ações, gerando conflito. E sem tem algo do qual o mundo não necessita é de conflito. Portanto, acredito que quem deseja oferecer críticas deve fazê-lo pontual e fundamentadamente e não em tom raivoso, com adjetivos grosseiros ou de modo generalista. Soa como vaidade intelectual.

Explico. Particularmente, eu não sou fã do Paulo Coelho, mas eu acho que as críticas que quase todos esses intelectuais do perfil narrado acima fazem em relação ao Paulo Coelho são um exemplo lúdico do que eu narrei anteriormente. O Paulo Coelho não pretende ter o requinte literário de Machado de Assis ou de Clarice Lispector, sua narrativa, de linguagem mais simples, alcança pessos cuja formação escolar não lhes deu condições de acompanhar certos clássicos da literatura, que, sejamos francos, têm leitura difícil, mas mágica. Não digo que pessoas carentes de uma excelente formação não tenham capacidade intelectual, mas, sim, que lhes faltaram as ferramentas necessárias para ompreender textos que exigem vocabulário muito culto e excelente capacidade de interpretação de texto.

O Paulo Coelho consegue alcançar todos, os mais que cultos e intelectualizados e aqueles aos quais a base foi mais escassa. Ainda, suas mensagens são positivas e fazem com que quem o lê deposite sobre si um olhar crítico e compassivo, que leva à potencial busca da melhoria de si mesmo. Talvez justamente por isso ele vena tanto.

Por outro lado, críticas raivosas não exercem essa função, ao contrário, propagam intolerância. Uma coisa é apontar uma inverdade que leva os leitores a erros e os prejudica, outra completamente diferente é a critica direcionada a formalismos que seriam, sim, desejáveis, mas que, em um país de índice de analfabstimo funcional alto, são inócuos, porquanto impossibilitam que a maioria tenha acesso a informações que possam contribuir para o seu bem-estar e melhoria, ainda que carentes de rigor técnico seja de que espécie for.

É triste ver tantos erros de português, mas considero mais lastimável quem, apesar de poder escrever corretamente e propagar informação de qualidade, escreve em linguagem tão culta, que veda o acesso justamente daqueles que precisam ter mais acesso a textos de qualidade. Isso acaba por fertilizar o espaço para a propagação dos tão criticados textos mau escritos ou inverídicos, os quais são acessíveis, já que de fácil compreensão.

Nesse contexto, se algo não é inverídico e faz com que os interlocutores sejam levados a um lugar bom dentro de si e repensem de maneira positiva e pragmática suas vidas, então, deve ser tratado com respeito, ainda que lhe careça este ou aquele rigor técnico. Por acaso só quem escreve tudo corretamente e de maneira formal tem algo bom a dizer?

Com efeito, conhecimento sem compaixão e moral é perigoso e pode destruir uma sociedade se estiver nas mãos de quem ocupa posições de domínio e o telejornal mostra isso cotidianamente. Vivemos tempos em que qualquer mensagem de tolerância e convivência deve ser enaltecida e, certamente, críticas com palavras raivosas vão na linha oposta disso, mesmo que proferidas por célebres cultos.

Ainda que fulano ou cicrano publiquem bobagens ou mentiras, quem detém grande cultura e renome tem a responsabilidade de oferecer críticas educadas e que levem a uma posição de reflexão e não de conflito. Coisas do tipo “fulano só fala besteira e deve ficar calado” já sinalizam conflito e não construção.

Urge que sejamos mais pragmáticos e menos formalistas, mais sábios e menos vaidosos e que sejamos capazes de compreender que o mundo ideal seria que todos conseguissem ler Shakespeare. Contudo, a realidade é que precisamos de muito mais acesso à educação para que isso seja possível e, no meio tempo, tem muita mensagem informal e positiva sendo objeto de demérito por intelectuais que não conseguem entender que nem todos têm a mesma bagagem e que isso implica no fato de que é necessária uma comunicacão menos formal, que alcance a todos, até que possamos nos dar ao luxo de só termos literatura de alta complexidade.

 

Mercúrio e o Agora

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A Astrologia trabalha com uma linguagem simbólica, da qual é possível extrair autoconhecimento por meio da leitura do mapa astral, ou um conhecimento da vida, por meio da análise do Zodíaco, enquanto mapa do universo.

Nesse último sentido, podemos relacionar o planeta Mercúrio com a necessidade de vivermos o momento presente.

Mercúrio é o planeta associado à mente racional e analítica, regente dos signos de Gêmeos e Virgem. Reparem como as pessoas desses signos (salvo os casos com forte influência de Netuno ou Júpiter, Peixes ou Sagitário) têm a habilidade de se manter produtivas.

É por meio do uso dessa nossa habildade racional que podemos nos manter no aqui e no agora, direcionando a nossa mente para atividades práticas mundanas. Quando percebemos que a mente está divagando e fugindo da realidade em utopias ou sonhos sem planejamentos concretos, é hora de chamarmos a mente racional.

Redirecionar a mente para coisas práticas e palpáveis, que saiam do sonho e encontrem o planejamento estratégico é de suma importância, caso desejemos aproveitar ao máximo dessa existência. Convenhamos, perder tempo com sonhos que não são possíveis de serem realizados não é lá muito inteligente e, muitas vezes, esconde mecanismos de autossabotagem.

Nessa hora, é necessário colocar a racionalidade em prática e se auto analisar, a fim de verificar em que medida os pensamentos vagos e sonhadores são, de fato, palpáveis. E, se o forem, traçar um plano de ação.

Caso contrário, é necessário criar o hábito de redirecioná-los para a realidade da vida, afinal, se o sonho sonhado não e possível, é hora de trocar de “sonho”.

Espero que esse texto lhes ajude a encontrar o melhor de Mercúrio em vocês.

Boa semana a todos!