Você é muito mais do que esperam de você (incluindo sua capacidade de gerar filhos)

 

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Eis que nem tudo nesse pré carnaval são flores. Em meio a festas e alegria, uma moça desabafa com sua amiga que não aguenta mais sua mãe falando para os outros que ela não lhe dá um neto nem suporta mais ver seu problema de fertilidade divulgado a pessoas com as quais ela não tem intimidade. Uns riem, outros desaguam suas mágoas. Me comoveu e me fez pensar e escrever este texto.

Em primeiro lugar, se eu pudesse, ligaria para a mãe da moça e lhe aconselharia a pedir desculpas à filha. Muitas vezes, sem querer, falamos dos nossos anseios em relação aos nossos filhos e, cegos em nossas próprias necessidades e faltas, não percebemos o quanto magoamos nossos filhos. Mais do que pais, filhos querem ser amados e sentir-se amado é, antes de tudo, sentir-se aceito pelo que se é, com defeitos e qualidade, conquistas  e limitações.

Muito provavelmente, a mãe está tão triste quanto a filha diante da dificuldade de concepção natural de um novo ser por essa última, e seu desabafo com pessoas próximas revela isso. Contudo essa mãe parece usar mal suas palavras que são interpretadas pela filha como falta de aceitação, de amor. No fundo, essa filha se sente em dívida com a mãe e essa mãe sente-se limitada e frustrada por não poder ajudar  a filha. E, nesse mar de emoções, abre-se caminho à falha de comunicação e aos mau entendidos.

É importante que pais e mães compreendam que seus filhos são a luz que são e não o que eles, pais, imaginaram em um mundo ideal, contaminado pelo inconsciente desejo de ter filhos para ter uma extensão de si no mundo. Seu filho não é a sua extensão e, justamente por isso, você poderá resolver a vida dele sempre.

Mas há uma saída: quando tudo for ineficaz, lhe restará o amor incondicional que não julga nem deposita no outro as próprias frustrações, mas acolhe e compartilha a dor. É sobre compartilhar a dor com seu filho e não com o resto do mundo, pois ninguém mais poderá amenizá-la, apenas o amor entre vocês dois é capaz disso.

E, se eu pudesse falar com a filha dessa história, a aconselharia a aprender a lidar com as limitações da vida de maneira mais saudável, sem também esperar a perfição da mãe. Ambas parecem esperar da vida e da outra mais do que é possível obter neste momento, apenas expressam isso de maneira distinta.

Sabe, gostaria de dizer a essa moça e a todas as mulheres: VOCÊ É MUITO MAIS DO QUE A SUA CAPACIDADE BIOLÓGICA DE GERAR FILHOS. Aliás, você é muito mais do que as expectativas não atendidas de quem quer que seja, incluindo seus pais e as suas próprias.

É urgente que todos nós aprendamos a nos aceitarmos como somos, incluindo nossos defeitos e limitações. Somente assim seremos capazes de não sucumbirmos em tristeza quando alguém nos criticar ou depositar suas próprias necessidades e anseios em nós. Igualmente, apenas dessa forma poderemos aceitar as demais pessoas como elas são, sem lançar sobre elas julgamentos crueis nem expectativas frustradas nossas.

Esse recado é especialmente relevante aos leoninos que, conforme já falei em outros textos por aqui, têm como missão de vida encontrar o pai dentro de si mesmos. Ora, isso significa encontrar esse sentimento de autoconfiança e aceitação dentro de si mesmo, para revelar a força de vontade e amorosidade que todo leonino traz em sua alma. Esperar ter essa resposta de fora somente alimentará a insegurança leonina, que será externada na forma de orgulho e brigas. De toda sorte, leonino ou não, todos precisamos encontrar o amor próprio e parar de depender de mensagens externas para termos autoconfiança.

Quando você aprende a se amar, acaba por descobrir em si mesmo caminhos e força para melhorar seus traços de personalidade que precisam de lapidação, pois consegue usar suas forças e virtudes eficientemente, afinal, deixou de focar no que lhe falta e aprendeu a enxergar a sua luz!

Portanto, moças e mães, a vida é muito mais do que os seus sonhos não realizados e suas expectativas frustradas, a vida é tudo aquilo que você fará a partir do que ela lhe trouxer e, para fazer disso o mais belo  espetáculo, é preciso saber-se luz, amar a si mesmo e tocar o barco pra frente, aprendendo a aceitar e lidar com o que cada um pode lhe dar. E sobretudo, aprendendo a conversar sobre suas emoções e chorar junto com a mesma facilidade com que riem junto.

Aprendam a serem mais positivas, ao invés de criarem problemas para soluções tão simples como uma boa conversa regada de amor e compaixão por si mesmas e uma pela outra.

Boa semana a todos!