Por que Astrologia?

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A fim de elucidar o que é Astrologia e qual a sua utilidade na vida do ser humano, vamos, antes, em breves palavras, explicar (i) as perspectivas da abordagem da vida; e (ii) quais as ciências que se prestam a explicar cada uma dessas abordagens.

Parte de nós é representada pelo nosso intelecto, o qual cuida de abordar a vida sob uma perspectiva objetiva, lógica, analítica. Mais voltado para o exterior, o intelecto cuida de analisar o “mundo lá fora”, a matéria ou o que se compreende dela. Inúmeras são as ciências que cuidam de atender a essa necessidade, tais como a física, a matemática, a química, etc.

No entanto, nossa condição humana nos leva a buscar mais do que o entendimento do mundo externo e material. Somos, constantemente, impulsionados a buscar a compreensão sobre como nos relacionamos com esse mundo, quais os impactos “do outro”em nós mesmos. Por sua vez, isso apenas se torna possível se o olhar sair do “mundo lá fora” e se voltar para o “mundo aqui dentro”, para o nosso interior. Nese momento, entra a busca do autoconhecimento, pois não nos basta entender como somos afetados por pessoas e acontecimentos vindos de fora, precisamos entender as razões que fazem com que esse impacto seja dessa ou daquela natureza. Por sua vez, a compreensão desse campo da existência não depende apenas do intelecto, mas, principalmente da intuição, daquela percepção que nem sempre vem de um lugar racional, objetivo, cartesiano, mas de um lugar íntimo, misterioso, o qual não conseguimos explicar muito bem no mais das vezes. E, acima de tudo, buscamos imprimir significado às nossas experiências com o mundo externo.

Essas necessidades são traduzidas, explicadas, na linguagem astrológica, razão pela qual é possível afirmar que a Astrologia é a linguagem simbólica que busca explicar as regras universais que regem o campo da experiência espiritual do ser humano, bem como a nossa relação com o mundo externo e quais os significados que buscamos na jornada que chamamos vida.

Sim, a Astrologia é uma linguagem simbólica, arquétipa no sentido juguiano da palavra. A compreensão dos arquétipos que trazemos conosco nos permite compreender nosso mundo interior, como somos afetados, quais as nossas necessidades íntimas, quais os significados buscamos na vida e a própria vida em si.

Nesse sentido, dizemos que o Zodíaco é o mapa do universo e o mapa astral, o mapa da alma enquanto microcosmo desse universo.

Através do estudo do Zodíaco (significados dos signos e casas) entendemos as leis universais que regem a nossa relação com o mundo exterior sob uma perspectiva espiritual e, através da análise do mapa astral, entendemos como lidamos com a vida. Segundo Jung, a Astrologia era a psicologia do mundo antigo (ver o ícone “Astrologia e Psicologia” na barra horizontal localizada na parte superior da tela de nosso site).

Por exemplo, o Zodíaco é (i) composto por 12 signos, cada um representando, simbolicamente, um nível da natureza humana; e (ii) dividido em 12 casas, cada uma representando um ou mais setores de nossa vida. Assim, temos 12 estágios de evolução e 12 setores da vida a serem trabalhados. Nenhum signo é mais evoluído do que o outro, a evolução está na capacidade de termos em nós mesmos os lados positivos de cada um dos 12 signos.

A respeito de como o significado de cada uma das 12 casas pode nos auxiliar a compreender as regras universais que regem a nossa existência sob o ponto de vista de significado, tomemos como exeplo a Casa 2, na qual estão representados os nossos valores, nosso sentido de valor próprio e também como nos relacionamos com dinheiro, comida e bens materiais. Podemos aprender que nossa relação com a matéria traduz nosso sistema de valores interno, bem como o quanto e como nos valorizamos, de modo que, mudando nossos valores e melhorando nossa autovalorização, mudamos nossa relação com a matéria.

Nessa linha, veja-se que o nosso destino está simbolizado pela casa 12 do Zodíaco, a qual também representa os mistérios, o oculto, a espiritualidade, tudo o que transcende a mundo material. Assim, temos que a regra é a de que o nosso destino não pode ser totalmente revelado, parte dele está oculta. E, sendo essa a casa da fé na vida (não a fé em um Deus), temos que parte do nosso destino apenas se revela no curso da vida e que, para suportar essa falta de controle, é preciso ter fé, confiar no futuro, pois confiar no futuro é confiar na vida, já que essa apenas caminha para frente.

A Astrologia estuda a nossa alma, tal qual a Psicologia, mas os métodos adotados por uma e outra são distintos. A Astrologia faz o diagnóstico da alma em uma única análise do mapa astral, mas não trata das eventuais “doenças da alma”. A Psicologia já trabalha essas “doenças”, podendo, também, fazer o seu disgnóstico, claro. Assim, o sujeito poderia apresentar a análise de seu mapa astral ao psicólogo que, por sua vez, já iniciaria o seu trabalho com um diagnóstico, poupando algumas sessões de terapia (sim, tem gente que demora meses para começar a falar a respeito daquilo que de fato tem de ser tratado). As previsões astrológicas, por sua vez, cuidam de elucidar em qual momento da vida o indivíduo está mais apto a compreender esse ou aqule aspecto de sua natureza íntima, o que também contribui para a otimização do trabalho da Psicologia.

Há fases em que a vida nos chama a lidar com certos assuntos e fases em que nos convida a trabalhar outros e isso pode ser previamente verificado nas previsões astrológicas. Se o sujeito passar a observar a sua vida atenta e diariamente, preceberá que em determinados períodos de tempo, muitos acontecimentos convergem para um determinado ponto de sua vida. É a vida mostrando que o canal aberto nesse momento é o de compreender o aspecto da natureza interna envolvido nesse determinado setor da vida. Saber observar e aproveitar isso  significa extrair da vida o máximo que essa tem a nos oferecer. Poupam-se tempo e esforços. A Astrologia permite diagnosticar tudo isso.

Assim, enquanto o mapa astral é a bula do sujeito, as previsões mostram qual o melhor momento para focar em um ou outro setor da vida. Mais do que evidenciar eventos fatalistas, a Astrologia se presta a guiar o sujeito de modo que esse aproveite as temporadas de plantio, cuidados e colheita de sua vida e de sua natureza interior. A depender de como foi o período de plantio e de cuidado, a colheita pode ser péssima, ruim, mediana (previsões com aspectos ruins) ou boa, ótima, fantástica (previsões com aspectos bons).

Exemplificadamente, pensemos em uma pessoa cujo mapa astral aponta para problemas de relacionamento afetivo. Há, na previsão, um ótimo aspecto para encontro de alguém e início de um relacionamento sério. Bem, se o sujeito em questão não tiver aprendido a lidar melhor com o seu lado afetivo, pode conhecer uma pessoa de fato ótima, mas não conseguir aproveitar a oportunidade por inteiro. Por outro lado, se já estiver no caminho de trabalhar esse seu lado, pode experienciar seu melhor relacionamento até então. Do mesmo modo, uma previsão ruim, de ruptura de relacionamento, por exemplo, pode muito bem se teaduzir em uma briga que leve a uma ruptura de um aspecto ruim do relacionamento, levando esse a um lugar novo, mais compreensivo, se o sujeito tiver boas habilidades de relacionamento; ao passo que para alguém cujo relacionamento já vinha sendo empurrado com a barriga ou tenha dificuldade em solução de conflitos, essa previsão ruim provavelmente significará um divórcio.

Portanto, salvo alguns casos específicos, as previsões da Astrologia não são fatalistas. Apontam, antes, as facilidades e dificuldades do sujeito e de seu momento de vida, elucidando a esse as oportunidades e riscos que estão disponíveis. Mas compete ao próprio sujeito fazer as suas escolhas e a tendência dessas escolhas vem refletida no mapa astral, de modo que, compreender o mapa astral permite evitar que se alimente inconscientemente lados negativos de nossa natureza que nos compelem a más escolhas.

Dessa forma, o mapa astral e as previsões astrológicas atendem bem aqueles que buscam compreender a si mesmos e aproveitar os canais abertos em sua vida em certo momento e se proteger dos riscos oferecidos em outros. No entanto, nenhuma dessas ferramentas astrológicas se presta dar uma solução definitiva e fatalista ao futuro, razão pela qual quem busca se esquivar da responsabilidade de seu livre arbítrio não encontra abrigo na Astrologia.

O estudo da Astrologia, por sua vez, atende, também, à necesidade de compreensão das leis universais que regem essa abordagem intuitiva da vida, que revelam o sentido disso tudo, sabendo que, a total e absoluta compreensão daquilo que transcende a nossa condição humana pertence à casa 12 e, portanto, será sempre cercada de seus mistérios.

Nos próximos posts, tratarei de alguns significados simbólicos do Zodíaco, a fim de que vocês, leitores do site, possam compreender um pouco mais os ensinamentos que a Astrologia tem a oferecer.

Por fim, destaco que há inúmeras outras fontes de conhecimento extremamente úteis para quem busca significados para a sua existência e a filosofia clássica ou espiritual é rica nessa literatura, tal qual os textos que tratam de medicina ayurvédica, entre outros. Cabe a cada um buscar a ferramenta com a qual mais se identifique, sabendo que essa identificação pode mudar ao longo do tempo, porque Gêmeos e Peixes nos ensinam que tudo muda o tempo todo e não há nada de errado nisso, estamos todos em constante construção.